Dois meses atrás, a Biomm — única fabricante nacional de insulina do Brasil — conseguiu se livrar de um dos piores escândalos corporativos dos últimos anos: o envolvimento com o Banco Master, que desabou acusado de fraudes e lavagem de dinheiro.
A solução? A entrada da gestora Alaska no quadro societário da farmacêutica. Esse movimento não é só um detalhe corporativo: é sinal de que a companhia conseguiu sair do poço reputacional em que estava metida. Quando uma empresa está ligada (mesmo que indiretamente) a um escândalo financeiro, bancos, fornecedores, clientes e investidores fogem. Crédito seca. Parcerias travem. Confiança some.
Agora, com um novo controlador de peso no mercado (a Alaska é conhecida no ecossistema de private equity e gestão), a Biomm está sinalizando reorganização. E aí vem o número maluco: a companhia projeta crescimento de 3.000% no Ebitda (basicamente, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Parece ficção, mas contexto importa. Se a Biomm estava operando sob estigma corporativo, com fluxo de caixa travado e credibilidade abalada, sair do buraco e normalizar operações realmente pode gerar um salto percentual gigantesco.
Isso é importante porque insulina é um medicamento essencial no Brasil — demanda estável, garantida, quase um commodity. Uma fabricante nacional competente (livre de estigma) que conseguir ganhar escala e confiança novamente virou ativo com características defensivas e potencial de crescimento. O mercado já está de olho.