O dólar PTAX fechou cotado a R$ 5,0666 — e permanece num patamar que não era comum há alguns anos. Quando a moeda americana fica cara assim, alguns setores da economia brasileira sentem o pinço de forma imediata.
Para quem importa produtos ou matéria-prima, a conta sobe. Um importador de maquinário ou componentes eletrônicos precisa desembolsar mais reais para fechar a mesma compra em dólar. Isso eventualmente pressiona preços finais nos prateleiras, o que ajuda a manter a inflação acima do que seria sem essa pressão externa.
Mas há dois lados na moeda. Quem exporta (agricultura, indústria baseada em commodities) ganha: vender em dólar e receber mais reais por unidade melhora a margem. Setores como agro e mineração têm sido os "ganhadores" num cenário de dólar forte. Já a construção civil, que importa insumos, sofre.
Para o investidor pessoa física, o dólar alto mexe principalmente em dois pontos: primeiro, aplicações em dólar (CDB em moeda estrangeira, ações de empresa americana) ficam mais caras — você precisa de mais reais para comprar a mesma exposição. Segundo, o real desvalorizado torna investimentos no exterior mais caro. Quem já tem exposição internacional vê a carteira ganhar valor em reais pelo lado da moeda, mas quem quer começar a explorar esse mercado agora paga mais caro pela entrada.
Nenhuma das duas situações é boa ou ruim por si — depende da sua posição. O importante é saber que dólar alto muda o jogo.