O Brasil passou anos incentivando painéis solares nas casas, e funcionou. Demais. Agora o ONS (operador do sistema de transmissão) está em apuros porque, durante o dia, tanta gente gerando energia solar simultaneamente está sobrecarregando a rede — e à noite, quando o consumo sobe e os painéis dormem, faltam fontes para equilibrar.
O risco real é blecaute em horários de baixa geração solar, especialmente em períodos sem hidrelétricas cheias (nosso colchão energético tradicional). Para evitar caos, o ONS começou a traçar planos para gerenciar melhor esse excesso — basicamente, aumentar armazenamento de energia (baterias), incentivar consumo em horários de pico solar e, potencialmente, mudar como o sistema paga energia.
Para o investidor, isso abre duas frentes. Uma, mais imediata: se a solução envolver mudança nas regras de compensação de energia solar (net metering), quem já investiu em painel residencial ou em fundos com exposição ao setor vê o retorno potencial mudar. Outra, mais fundo: toda solução de armazenamento de energia (baterias, sistemas de gestão) vira negócio promissor nos próximos anos, e essa tendência já está nos olhos de quem acompanha inovação e sustentabilidade no mercado.