O Patria, um dos maiores gestores de private equity da América Latina, está remarcando para baixo os valores de dois de seus fundos que investem na região. O ajuste reflete um cenário que já não é novidade: juros elevados no mundo, inflação teimosa e dificuldade para sair de investimentos (o que chamam de "liquidez restrita").
Quando um fundo remarca um ativo para baixo, é como reconhecer que aquela empresa ou participação vale menos do que se pensava alguns meses atrás. Pode ser porque o negócio desacelerou, ou porque ficou mais caro financiar a operação com juros altos, ou ainda porque o mercado para vender o ativo encolheu.
Ess movimento do Patria não é isolado. Fundos de private equity globalmente têm enfrentado o mesmo tipo de pressão. Quando os juros estavam perto de zero, era fácil comprar empresas, alavancar com dinheiro barato e esperar o preço subir. Agora, o custo do capital subiu, o retorno esperado ficou maior, e as saídas (venda do ativo ou abertura de capital) estão mais lentas.
Para o investidor PF, a lição é mais estrutural do que urgente. Fundos de private equity trazem risco maior e exigem paciência de anos. O que o mercado está sinalizando é que esse ciclo provavelmente seguirá exigindo paciência — e que expectativas de retorno precisam ser recalibradas para um mundo com juros não-zero.