A Gávea Investimentos, uma das casas de gestão mais tradicionais do Brasil, tomou uma decisão simbólica: encerrar sua família de fundos multimercado macro. Esses fundos — que combinam várias classes de ativo e apostam em movimentos do cenário econômico — foram um dia o carro-chefe da casa. Agora, após anos de underperformance (aquele jeito chique de dizer que não bateu a meta), é hora de virar a página.
Por que isso importa? Porque mostra uma realidade que pesquisas acadêmicas vêm apontando há tempo: é muito difícil um gestor ativo consistentemente superar o mercado. A maioria não consegue. E quando consegue num ano, no seguinte pode fracassar. Fundos multimercado macro são ainda mais complicados — exigem previsão de cenários econômicos, movimentos de taxa, câmbio, bolsa simultaneamente. É como prever o tempo cinco meses afrente: possível algumas vezes, difícil fazer sempre certo.
Para o investidor PF, essa saída reforça um padrão: fundos ativos com estratégias complexas costumam cobrar mais taxa (2% ao ano é comum) e entregar menos resultado. Quando a Gávea — com toda sua experiência — joga a toalha, é sinal de que até expertise tem limite.