O IPCA de agosto ficou em -0,32%, ou seja, os preços em geral caíram. Não é um erro de digitação: a inflação virou deflação no mês. Para quem está acostumado a ouvir falar em inflação alta, esse número parece estranho — e é mesmo, porque é raro.
Como isso acontece? Geralmente por queda sazonal forte em alimentos e combustíveis. Agosto é uma estação em que certos itens (tomates, frutas) descem de preço naturalmente, e se a gasolina recua junto, o resultado é negativo no índice. É temporário: nas próximas leituras, esses preços tendem a subir de novo.
Por que importa? Porque deflação — queda contínua de preços — é uma armadilha econômica. Consumidores e empresas adiam compras esperando que fique mais barato, a economia desacelera, desemprego sobe. Mas isso não é o caso aqui: é um mês isolado de alívio, não uma tendência. A Selic segue em 13,75% porque o risco inflacionário de mais longo prazo não desapareceu.
Em resumo: agosto foi gentil com a sua carteira de gastos, mas é ilusório achar que agora tudo fica mais barato. Os bancos centrais olham para meses e meses adiante, e por isso a taxa de juros ainda está firme.