O Brasil precisa desesperadamente de investimento em saneamento básico. A infraestrutura hídrica do país está deteriorada, os índices de cobertura de esgoto são vergonhosos e o potencial para concessões é enorme. Deveria ser um prato cheio para investidores.
Mas não é. Dos quatro grandes leilões estaduais de concessões de saneamento previstos para este ano, apenas um avançou integralmente. Os outros três não conseguiram sair da portaria. No radar estão quase R$ 17 bilhões em oportunidades que não decolaram.
Por quê? A receita de um projeto de saneamento é previsível (a demanda por água e esgoto não some), mas a insegurança regulatória, o risco político em alguns estados e os juros altos fazem a equação financeira não fechar. Investidores que topam concessões de 20, 30 anos estão achando a combinação muito arriscada.
O problema? Enquanto isso, as cidades continuam sem infraestrutura adequada. E para o investidor brasileiro que quer exposição a ativos de impacto ou renda previsível de infraestrutura, a falta de liquidez em leilões é um sinal de que esse mercado ainda está verde. Não está blindado, está em formação. Alguns fundos têm exposição a concessões direto ou indireto (via FIIs de infraestrutura), e essa volatilidade de execução de projetos afeta a visibilidade de retorno.