O gás natural é discreto, mas está em todos os lugares: nas térmicas que geram luz, nas indústrias, no aquecimento. E por bastante tempo, o preço desse insumo crítico foi praticamente sinônimo de Petrobras. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) decidiu que chegou de concentração: avançou em um plano para reduzir o poder de mercado da estatal na indústria de gás.
O diretor da ANP foi bem claro no tom: "Não somos ONG", em resposta às críticas. O recado é: estamos aqui pra regular mercado, não pra ser amigo de ninguém. A Petrobras, numa frase que resume bem o incômodo dela, respondeu que não é "atravessadora" — ou seja, que não está lá só pra ficar no meio ganhando spread sem agregar. Mas a realidade é que quando um player controla boa parte da cadeia (produção, transporte, distribuição), preços tendem a refletir menos concorrência real.
Se o plano da ANP funcionar, a ideia é desafogar o gás no mercado, o que pode significar conta mais leve em setores que usam essa energia como insumo. Para o investidor PF que acompanha ações de energéticas, é bom ter no radar que essa pressão regulatória existe — empresas em setores altamente regulados lidam com esse tipo de vento contrário de vez em quando.