Depois de bater o recorde histórico em fevereiro, a bolsa do México entrou em marcha à ré e agora está na retaguarda entre os grandes mercados da América Latina. O lado "bom": negocia a múltiplos baixos (12x o lucro projetado), o que em teoria significa precificação pessimista. O lado "nem tanto": projeções fracas para crescimento do PIB e incertezas estruturais explicam por que o mercado segue gélido.
A história é comum em mercados emergentes: quando a economia anda de lado ou pra trás, bolsa desaqueça. México não é exceção. Apesar do múltiplo convidativo, faltam catalisadores que façam investidor estrangeiro e local acordar.
O paralelo com Brasil é instrutivo. A bolsa brasileira também passa por fases de volatilidade e precificação incerta quando o macro anda devagar. A diferença costuma ser a taxa de juros: quando o Brasil oferece Selic em 14%, até renda fixa atrai capital que poderia ir pra ações. No México, com juros mais baixos, bolsa deveria ser mais atraente — mas não é, porque simplesmente não há confiança na economia.
Para o investidor brasileiro, a lição: múltiplo baixo é isca, não refeição. Preço barato é um fator, não é razão suficiente pra dizer "vá pro México". Entender o que está por trás da desvalorização — economia fraca, incerteza — é o que importa.