Michael Burry, o investidor famoso por ter previsto a crise de 2008 e o tema do filme "A Grande Aposta", ampliou sua posição vendida contra inteligência artificial e empresas de tecnologia no radar da IA. Sua tese é que essa bolha vai desinflar, e ele não poupou palavras: "é o começo do fim".
Burry é conhecido justamente por visões contrárias ao consenso — apostas que parecem loucas até explodir na cara de quem não acreditava. Mas é também importante lembrar que nem todas as suas teses dão certo. O cara errou em alguns momentos, mesmo sendo bom em detectar excessos.
O recado dele toca num ponto real: a IA concentrou bilhões em poucas ações, múltiplos subiram muito rápido, e a lucratividade real ainda é uma incógnita para a maioria dos negócios de tech. É válido questionar se os preços já precificam toda a euforia possível. Mas também é válido questionar se Burry acertará o timing — apostas contrárias que chegam cedo demais podem custar caro.
Para o investidor brasileiro, a situação é um pouco distante — nosso mercado não concentra tanto em mega-caps de tech. Mas a lição é útil: quando um setor está em alta, sempre aparecem vozes alertando para a bolha. O que importa é distinguir entre crítica genuína de fundamentos e apenas contrarianism pelo contrarianism.