Tem algo estranho quando o dinheiro sobe e a moral cai. É exatamente o que está acontecendo com infraestrutura no Brasil.
Os números de investimento batem recordes — parece prosperidade. Mas o humor entre engenheiros, gestoras, empreiteiros e policy makers caiu para o menor nível desde 2022. Por quê? Porque esbarram em três cenários: a guerra na Ucrânia mantém incerteza global em alta, eleições trouxeram políticas impredizíveis, e prometam uma coisa, entregam outra virou rotina.
Quem trabalha com infraestrutura não quer só dinheiro em caixa agora — quer segurança de que os projetos vão durar, que as regras não vão mudar no meio do jogo, que o retorno que calculou em 2024 ainda existe em 2025. E aí a coisa piora: instabilidade fiscal, risco de apertos de câmbio, e debate de reformas que soa mais em bravata que em ação real.
O cenário: muito dinheiro entrando, mas em gotejamento e com freio de segurança ligado. Quem investe em infraestrutura agora está pedindo taxa maior de retorno para respirar mais tranquilo — ou simplesmente esperando.
Não é catástrofe. É mercado dizendo que a confiança virou mercadoria cara, e quem vender projetos com segurança real vai ganhar espaço.