O preço do petróleo recuou na sessão de hoje com a volta de preocupações sobre conflito no Oriente Médio. Em paralelo, o governo redesenhou os subsídios de combustíveis, reduzindo o impacto de volatilidade para o consumidor final na bomba, mas mantendo gasolina defasada em relação ao preço internacional — e alargando ganhos da Petrobras no diesel.
O cenário é contraditório. De um lado, queda do barril beneficia qualquer consumidor. De outro, a gasolina segue artificialmente controlada, o que limita a margem da estatal em um dos combustíveis mais sensíveis politicamente. O diesel, fora da régua de subsídio, lucra mais com a estrutura de preços — é onde a Petrobras ganha espaço quando o barril cai.
Para a empresa, esse movimento é uma faca de dois gumes: menos pressão de preços altos (que pesa em sentimento negativo no mercado), mas crônica defasagem de margens em gasolina.
Para o mercado financeiro, o que importa é: quanto tempo a Petrobras consegue aguardar com rentabilidade pressionada num combustível essencial? Até agora, o diesel e outros produtos têm compensado. Mas mudanças nesse jogo político podem vir.
Historicamente, ações de petroleira acompanham o barril — então dias de queda sinalizam turbulência. O gigante tem lucratividade, mas está preso nesse cabo de guerra.