O presidente dos EUA está pressionando o Brasil com a ameaça de tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros. Parece distante? Não é. Quando os EUA cobram mais caro do Brasil, a gente que importa essas coisas aqui dentro acaba pagando a conta — seja nos preços no mercado, seja no dólar mais caro.
O detalhe é que Trump já mostrou que muda de ideia rápido. Em fevereiro, a Suprema Corte americana reverteu tarifas genéricas que ele havia imposto, e o resultado foi curioso: importadores americanos tiveram que devolver US$ 71 bilhões que haviam desembolsado. Só que esse dinheiro voltando pros cofres do governo dos EUA criou um efeito colateral: aumenta a inflação americana, que depois ricocheta por aqui.
Por enquanto, o IPCA segue comportado (0,16% em junho), mas a pressão vem do lado da taxa de câmbio. O dólar já está em 5,12 reais, e se as tarifas virem, produtos importados (e quem vive de importação) ficam mais caros. Para quem tem dívidas em dólar ou precisa de insumos do exterior, o cenário fica tenso.
O Brasil está negociando contra o relógio, e o mercado já reprecifica tudo isso. A questão é: vai rolar acordo ou protecionismo mesmo?