Uma cena clássica: você vai guardar um dinheiro e te oferecem duas portas. Uma com liquidez diária (você saca quando quiser), rendendo um pouco menos, tipo 98% do CDI. Outra travada por um prazo, rendendo um pouco mais, tipo 100% do CDI. "Trava que rende mais", dizem. Será?
Faça a conta do "a mais". Numa reserva de R$ 30 mil por um ano, a diferença entre 98% e 100% do CDI dá poucos reais por mês. É isso que você ganha em troca de abrir mão de poder sacar a qualquer momento. Quando o número aparece em reais, a conversa muda de figura.
O detalhe que quase ninguém conta: travar não te dá desconto de imposto. O Imposto de Renda da renda fixa cai conforme o tempo que o dinheiro fica aplicado (de 22,5% até 15%), e não conforme a carência do papel. Se você ia deixar o dinheiro o mesmo período, paga a mesma alíquota nas duas portas. Ou seja, o único ganho de verdade em travar é aquela diferencinha de taxa.
E a liquidez, vale quanto? Pra reserva de emergência, vale muito: o sentido dela é estar disponível na hora do susto. Trocar essa tranquilidade por alguns reais ao ano raramente compensa. Já pra um dinheiro que você tem certeza de que não vai tocar por anos (não a reserva), prazos mais longos podem fazer sentido, inclusive pela alíquota menor de IR lá no fim.
A lição de comportamento é simples: não trave o dinheiro que você pode precisar amanhã por uma diferença pequena. Quem ganha comissão tem incentivo pra não te mostrar o tamanho real desse "a mais". Você, agora, sabe fazer essa conta sozinho.