A Copasa foi precificada em R$ 49,03 por ação na sua oferta pública de privatização. Coincidência? Não, exatamente: é o mesmo preço que a Equatorial Energia pagou para se tornar acionista de referência. Traduzindo: o varejo está comprando pelo preço que a controladora também pagou, sem ágio.
Isso já aconteceu antes. A Sabesp fez algo similar, e quem entrou no IPO com entusiasmo viu a ação cair nos meses seguintes. O padrão é sempre o mesmo: venda estatal com preço "justo" demais costuma significar que havia espaço pra mais.
Claro que nem todo IPO com preço baixo é cilada. Às vezes é só precificação conservadora, às vezes reflete genuíno risco operacional ou de mercado. Mas quando o governo vende uma empresa estatal e o preço é exatamente o que o controlador já pagou, fica a pergunta no ar: se não havia ágio pra ninguém, será que o preço refletia mesmo o potencial da companhia?
Para os investidores que chegaram à venda, a lição é observar os primeiros dias de negociação. Sabesp caiu porque havia pressão de oferta; entender se Copasa segue o mesmo padrão vai dizer muito sobre se o "desconto" era real ou ilusão de ótica.