O segmento de energia renovável (solar e eólica) acumula prejuízos desde que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) começou a cortar sua geração para evitar sobrecarga na rede. A situação parece paradoxal: há energia, mas não pode usar? Exato — o sistema elétrico tem seus limites de transmissão e distribuição, e quando há risco de sobrecarga, o ONS ordena redução.
Agora o governo editou uma portaria prometendo ressarcir esses prejuízos. Na teoria, é justo: se o produtor é proibido de gerar, não faz sentido ele perder dinheiro por conta de uma decisão do regulador. Na prática, o setor reclama que a compensação é insuficiente ou que não resolve o problema estrutural: a falta de investimento em transmissão e em redes de distribuição.
Por que isso importa para quem investe? Porque define o futuro dos FIIs de infraestrutura e das ações de empresas do setor elétrico. Se a compensação não for suficiente, a rentabilidade desses ativos fica pressionada. Se o governo conseguir expandir a transmissão de verdade, a história muda. Por enquanto, é sinal de tensão.
A "milha final" da agenda econômica do governo passa também por essas questões: juros altos E investimento em infraestrutura. Resolver uma sem resolver a outra é tentar chupar sorvete com luva — funciona, mas é frustrante.