O ministro da Fazenda, Dario Durigan, saiu da sombra essa semana com um recado direto: o governo está na "milha final" de sua agenda econômica. Tradução: reconheceu que ainda há gargalos. E o maior deles? Os juros elevados, que andam rondando 14,25% ao ano (a taxa Selic de referência do Banco Central).
Isso não é novidade para ninguém que acompanha economia. Juros altos corroem o consumo das famílias, aumentam o custo de financiamentos e fazem a dívida pública ficar mais cara de carregar. Para o governo, é um incômodo porque limita gastos e compromete contas públicas.
O pano de fundo aqui é uma realidade desconfortável: o Brasil está preso num ciclo de juros elevados, onde inflação e expectativa de inflação alimentam a necessidade de manter taxas altas. Durigan e o Banco Central (via seu novo presidente, Galípolo) tentam quebrar esse ciclo — um com austeridade fiscal, o outro com credibilidade monetária. Nenhum sozinho consegue.
Mercado fica de olho em cada movimento. Se o governo conseguir demonstrar que controla contas públicas de verdade, a confiança cresce e os juros podem vir para baixo. Se não, fica mais um ano de taxa alta. A "milha final" que Durigan menciona é exatamente isso: a prova de fogo.