O consenso bonito era este: IA vai aumentar a produtividade, permitindo produzir mais com menos recursos, o que pressiona preços para baixo e afasta inflação. Simples assim.
Mas Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve e ex-secretária do Tesouro americano, tirou o pé do acelerador. Na prática, o que ela está vendo é diferente: a IA está exigindo investimentos colossais em infraestrutura (servidores, energia, datacenters) — e esses custos ainda não se converteram em queda de preços para o consumidor final. Enquanto isso, a demanda por poder computacional continua acelerando.
O risco real é que a inflação suba mais que o esperado antes de a IA entregar sua promessa de deflação. É como uma fábrica que investe pesado em maquinário novo; o retorno vem depois, mas o custo vem agora. E se o custo ficar por muito tempo sem retorno, pressiona margens e preços.
Para os mercados financeiros, isso importa porque inflação mais alta pode significar juros mais altos por mais tempo do que se previa. E juros altos afetam tanto a renda fixa quanto o preço das ações — especialmente as de crescimento, que ganham valor quando a taxa de desconto cai.