A inflação é aquele assunto que parece consenso até virar fogo amigo. E é justamente isso que está acontecendo agora: enquanto o debate político gira em torno do ajuste fiscal e das taxas de juros astronômicas (a Selic está em 13,75% ao ano), a meta de inflação de 3% segue praticamente intocada nas conversas públicas.
André Freitas, gestor da Hedge, acaba de chamar atenção para isso. Ele argumenta que essa meta pode estar desalinhada da realidade econômica brasileira e sugere que alternativas, como produtos com incentivos fiscais, merecem mais espaço no debate.
O ponto dele faz sentido quando você olha para trás: manter uma meta inflacionária fixa, independentemente de mudanças estruturais na economia, é como tentar usar o mesmo mapa para navegar em um território que se transformou. O Brasil hoje não é o mesmo de dez anos atrás em termos de produtividade, competição externa e dinâmica dos preços.
Por que isso importa agora? Porque se a meta não reflete a realidade, os juros podem estar sendo ajustados com base em um alvo errado. E juros altos afetam todo mundo: desde quem paga prestação até quem depende de retornos para viver. É um debate que deveria estar na agenda de campanha, mas não está.