O agronegócio brasileiro está numa encruzilhada. Não é só a guerra no Irã inflando custos com energia e logística (e fertilizantes, que é uma bola de neve). Não é só o real apreciado tornando as exportações mais caras lá fora. Agora entra em cena o El Niño, um padrão climático que já começou a mexer com chuvas e temperaturas em várias regiões do País.
A combinação é complicada porque afeta ao mesmo tempo a PRODUÇÃO (clima instável prejudica safras) e os CUSTOS (juros altos encarecem crédito rural, insumos seguem caros). Quem planta precisa financiar a operação — e a Selic em 14,5% não ajuda. O dólar em 5,12 reais também pesa: menos competitivo lá fora, mesmo com commodities em alta.
O setor já navega com margens apertadas. Para empresas ligadas ao agro (desde produtoras até distribuidoras de insumos), isso significa apertar ainda mais o cinto — ou passar custos adiante. Consumidor no varejo? Sente na carteira. Investidor com foco em ações ou fundos ligados ao tema? Precisa ficar de olho na dinâmica de lucro trimestral.
Ninguém controla El Niño, claro. Mas custos de operação e dívida em reais altos são reais — e pressionam margens que já não estão sobejando.