A Anvisa aprovou mais cinco medicamentos baseados em semaglutida (as famosas canetas emagrecedoras) no fim de julho. É a terceira rodada de aprovações desse tipo em pouco tempo — sinal de que o regulador está bem mais aberto a esse segmento.
O problema? Nenhum deles será fabricado no Brasil. Enquanto o mercado doméstico cresce e a demanda explode, a produção continua toda lá fora. Significa que cada real gasto aqui vira divisas para o exterior.
Para a indústria farmacêutica nacional, é uma oportunidade perdida de gerar empregos, expertise e retenção de valor. Para o investidor que acompanha esse setor, é um recado: o Brasil não está aproveitando a onda. As empresas estrangeiras ganham escala global, as brasileiras ficam importando.
Não é uma tragédia — as aprovações da Anvisa mostram que a regulação está evoluindo. Mas é um sinal de que a indústria local não foi rápida o suficiente ou não conseguiu acompanhar a demanda. No longo prazo, quem domina a produção domina o lucro.