A Auren fez uma aposta grande em 2024: comprou a AES Brasil por mais de R$ 7 bilhões. Problema? Esse dinheiro não era dela — ela pegou emprestado. Resultado: a alavancagem (quanto ela deve em relação ao que ganha) disparou para 5,5x EBITDA (basicamente, quanto de dívida comparado com ganho operacional).
Pra colocar em contexto: empresas de energia normalmente andam na faixa de 3 a 4x. Passar disso significa que ela está apertada — precisa gerar muito caixa pra pagar os juros e devagar reduzir a dívida. Um tropeço na geração de energia ou uma subida de juros e o aperto vira pressão.
O BC mantém a Selic em 14,25% ao ano. Quanto mais a empresa deve, mais caro é o juro pra ela renovar esse financiamento. Além disso, empresas super alavancadas viram alvo de downgrade (redução de nota de risco) de agências, o que encarece mais ainda o crédito.
A pergunta que mexe no bolso de quem tem ação ou FII de energia é: a Auren consegue gerar caixa suficiente pra digerir essa dívida? Ou vai precisar vender ativos, cortar dividendos, ou até pedir mais dinheiro emprestado? Por enquanto, ela está na fila de reposicionamento — vale monitorar o próximo balanço.