Nesta quarta-feira, 31 de julho, aconteceu o impensável: a B3 não abriu. Não por feriado, não por decisão administrativa — simplesmente saiu do ar por horas. A empresa informou que houve um atraso interno no processamento das operações do aftermarket (o pregão após o fechamento), o que cascateou para o mercado inteiro.
Pra quem tem décadas operando, isso é praticamente inédito. A bolsa é a espinha dorsal do mercado de ações brasileiro — quando ela cai, ninguém consegue fazer nada. Não tem como comprar, vender ou acompanhar em tempo real. É como o caixa de um banco inteiro travado.
O episódio coloca em xeque a robustez da infraestrutura que gerencia trilhões em transações. A B3 já enfrentou gargalos antes, mas nada tão visível e tão prolongado. A empresa ainda não divulgou os detalhes técnicos completos do que pifou, mas o mercado saiu do susto percebendo que o "maior mercado de capitais da América Latina" pode ter alicerces mais frágeis do que parecia.
Para as operações durante o dia seguinte, a B3 funcionou normalmente — mas a confiança levou um baque. Investidor que opera com frequência passou o dia checando se tinha acesso, broker recebeu enxurrada de calls de clientes assustados, e a discussão sobre redundância e backup ganhou espaço nas mesas de operação.