O Ibovespa tem cara de monumento. Está ali desde 1968, é o termômetro da bolsa brasileira, aparece na TV quando o mercado sobe ou cai. Mas a B3, que o administra, não quer deixá-lo virar apenas um museu de dados.
Por isso está fazendo benchmarking com índices internacionais (como o S&P 500 e o FTSE) para mexer na sua fórmula. A ideia é incluir BDRs (Brazilian Depositary Receipts, que são ações de empresas estrangeiras negociadas por aqui) na composição e começar a cobrar pelo acesso aos dados do índice, um modelo que já rola lá fora.
O raciocínio da B3 é duplo: primeiro, um Ibovespa que reflita melhor a realidade das empresas brasileiras hoje (muitas ganham muito em moeda estrangeira); segundo, gerar receita com a informação, assim como Bloomberg e outras plataformas fazem com seus índices.
Mas mexer em um índice é delicado. Fundo indexado, ETF, até carteiras de banco a seguir o Ibovespa — todos sentiriam a mudança. Por isso a conversa ainda está nas fases iniciais, e qualquer movimento será comunicado com antecedência para o mercado se ajustar.
O fato é que o índice que você segue está em transformação. Se essa virar realidade, não muda o que você precisa entender (quanto mais diversificado, melhor), mas influencia em quais papéis e ativos você vê quando aperta o botão de buscar uma ação ou fundo ligado à bolsa.