A bolsa de valores da Coreia do Sul (o Kospi) chegou a subir 100% do começo de 2024 até junho. Parece ótimo? É — mas tem uma pegadinha que os investidores experientes conhecem bem: quando um índice inteiro sobe puxado por um único tema, risco e retorno ficam colados na mesma aposta.
O combustível do Kospi é IA. A Coreia é potência em semicondutores (chips, aquilo que faz IA funcionar), e o mundo inteiro quer chips coreanos. Empresas como Samsung e SK Hynix pipocam nos balanços, investidor de fora manda dinheiro pra lá, a bolsa decola.
Tal só que quando 100% do crescimento vem de 1% do mercado (as gigantes de chip), o risco fica concentrado. Se a demanda por IA desacelera, se um concorrente americano (tipo a Nvidia) tem um problema de fornecimento resolvido, se o hype sobre IA arrefece — a bolsa coreana pode cair com a mesma velocidade com que subiu. Diversificação? Não muito por lá.
Pra investidor brasileiro, a lição não é "copiar a Coreia". É simples: quando todo mundo aposta em uma coisa só, pergunte-se quanto da sua carteira você quer exposto à mesma aposta. Risco concentrado rende mais curto prazo, mas caba às vezes em tombo feio.