Tem algo errado no quadro. Enquanto a Selic flerta com o topo e a inflação não cede, as famílias brasileiras tomam crédito acima do normal — o que gestoras como a JGP chamam de "equilíbrio instável", que é o eufemismo de "isso não vai terminar bem se não mudar".
O fenômeno é clássico de economia aquecida + desemprego baixo: as pessoas pegam empréstimo como se a festa fosse eterna, sem do que amanhã juros estarão ainda mais caros. Alguns pegaram crédito a taxa baixa em 2021/2022 e agora refinanciam a 14%+ — e aí o baque vem. Quem tem renda estável consegue aguentar, mas uma demissão, uma saúde abafada ou uma emergência doméstica pode derruba-lo rápido.
Isso importa pro investidor porque sinaliza que a economia está perto de um "freio" — não porque faltar dinheiro, mas porque pessoas endividadas gastam menos. Menos gasto = menos faturamento das empresas = ações caem. Já renda fixa fica blindada porque o banco ganha no spread (a diferença entre o que paga em CDB e o que cobra do cliente endividado).
O mercado financeiro segue insensível ao problema: taxa de juros alta atrai grana para os ativos. Mas a economia real — a de verdade, nas ruas — está suspirando. Vale ficar atento: ciclos viram rápido.