Existe um hábito nacional quase invisível: a gente coloca muita grana em ativos indexados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e chama aquilo de "seguro". É verdade que CDI é um ativo muito líquido e lastreado em operações reais entre bancos — mas chamar de "livre de risco" é simplificar demais.
O ponto central: CDI é seguro contra risco de crédito (calote), mas não contra risco de taxa. Quando a economia muda, a Selic sobe ou desce, e o rendimento do CDI cai junto. Quem pensa que CDI é sempre a mesma coisa está se enganando. A taxa varia — e muito. Há pouco tempo, CDI rendia 5% ao ano. Hoje anda por 12-13%. Se cair de novo, seu retorno cai junto.
Por que isso importa agora? Porque o Brasil está numa encruzilhada: ou a Selic sobe (e o CDI sobe com ela), ou entra em ciclo de queda (e o CDI desce). Quem tem uma carteira inteira em CDI precisa pensar em cenários. Se juros caem — e eventualmente caem — o retorno muda.
Não é alarmismo, é realismo. CDI é um ativo bom pra ter como base, mas é fundamental entender que ele muda conforme o humor da economia. Diversificar em prefixados, IPCA+ e até uma ponta internacional ajuda a não ficar inteiro refém da taxa de juros local.