Tem uma preferência quase religiosa entre os investidores brasileiros: indexar tudo ao CDI (ou à Selic). É como se fosse a opção "segura" do cardápio — renda fixa, sem risco de crédito, dormindo tranquilo.
Mas acontece que seguro não é a palavra certa. O que você tem é liquidez e segurança de crédito. O que você NÃO tem é proteção contra a queda de juros.
Quando a taxa Selic cai (como está caindo agora, de 13,75% pra 14%), todo mundo que tem CDB, poupança ou fundo DI atrelado a isso vê os juros novos serem menores. Sua rentabilidade no mês que vem é menor. Seu fundo que renderá CDI renderá um CDI menor. Isso é risco — e tem nome: risco de reinvestimento.
A conversa fica mais séria quando você percebe que metade da sua carteira rende CDI porque, bem, é fácil e oferecido em qualquer lugar. Mas enquanto a Selic caía lentamente, ninguém reclamava. Agora, com a possibilidade de queda mais forte adiante, a pergunta volta: será que parte desse dinheiro não deveria estar em renda fixa prefixada ou atrelada à inflação (IPCA+)?
Não é uma crítica a CDI. É um lembrete: estratégia construída de forma automática — "vou em CDI porque é fácil" — geralmente não leva a lugar nenhum no longo prazo. Diversificação de prazos e indexadores existe pra isso.