A China cresceu 4,3% no segundo trimestre na comparação anual — a taxa mais baixa em três décadas (fora o período de lockdown Covid). Parece número baixo? Para muita gente acostumada com crescimentos de 8%, 10%, sim. Mas há um detalhe importante: a China finalmente saiu da deflação, aquela espiral onde os preços caem, as pessoas seguram gastos esperando ficar mais barato, e a economia congela.
A deflação assustou analistas mundo afora por três anos. Agora, com o PIB crescendo mesmo que devagar e a deflação rompida, o cenário mudou de tom. Não é euforia — é alívio moderado.
O problema? O crescimento continua lento. A China ainda enfrenta excesso de capacidade (fábricas ociosas), endividamento privado alto e uma população envelhecida que consome menos. As medidas de estímulo do governo ajudaram, mas não mexem nas raízes.
Por que você vê isso no noticiário? Porque uma China fraca afeta commodities, afeta exportações brasileiras, mexe com preço de dólar e com expectativas de recuperação global. Quando a segunda maior economia do mundo cresce lentamente, todos os mercados emergentes — inclusive o Brasil — sentem o reflexo nas semanas seguintes.