A reforma tributária brasileira trouxe uma novidade que mexeu fundo nas carteiras dos family offices, aqueles gestores de patrimônio dos super-ricos. A mudança principal: a tributação de dividendos e ganhos de capital — antes praticamente intocável para quem era pessoa física — agora ganhou novas regras.
Antes, a lógica era simples: você montava uma estrutura societária e os lucros distribuídos como dividendos escapavam do imposto de renda. Era o clássico "benefício de quem tinha dinheiro". Agora, com a reforma em marcha, esses ganhos começam a sofrer pressão fiscal — o que força os gestores a repensar alocações inteiras.
O resultado? Family offices estão revisitando ativos que antes eram descartados por motivos fiscais, mexendo em estratégias de longo prazo que às vezes duravam 10, 15 anos. Alguns estão movimentando caixa entre classes de investimento, recalibrando entre renda fixa, ações e exterior — basicamente, tudo que antes parecia "decidido" voltou à mesa.
Isso importa porque sinaliza que, quando regras de tributação mudam, carteiras inteiras se reorientam. O movimento não é especulação; é recalibração real de quem tem dinheiro de verdade. E quanto mais grana mexe, mais sinais o mercado emite sobre qual classe de ativo pode estar em foco a seguir.