Enquanto o governo Trump busca aumentar tarifas sobre produtos brasileiros em até 37,5%, do outro lado do Atlântico algo curioso acontece: a Suprema Corte americana reverteu tarifas antigas impostas no primeiro mandato, e importadores americanos estão recebendo US$ 71 bilhões de reembolsos. É confuso? É mesmo.
Vou explicar a lógica: Trump impôs tarifas pesadas em 2017-2020 (aço, alumínio, chineses). Empresas americanas que importavam pagavam caro. A Suprema Corte decidiu que isso foi aplicado errado e mandou devolver. Resultado: US$ 71 bilhões voltam aos importadores. Isso, paradoxalmente, alivia o déficit comercial americano no curto prazo (mais grana na mão dos importadores) mas pressiona o governo a compensar com novas tarifas — exatamente o que Trump está tentando fazer com Brasil.
A corrida brasileira contra o relógio é real: Marcos Troyjo e a diplomacia têm horas para negociar antes que a nova tarifa entre em vigor. Uma tarifa de 37,5% sobre exportações brasileiras é devastadora para setores como agronegócio, minério e manufatura. Isso não afeta só as exportadoras — afeta toda a cadeia de valor, desde banco a frete.
Para o mercado financeiro brasileiro, a incerteza é o veneno. Dólar PTAX está em R$ 5,07, e qualquer notícia ruim sobre tarifas o empurra para cima. Renda fixa pós-fixada sobe junto (porque o Banco Central pode precisar manter Selic alta por mais tempo se câmbio dispara). Ações de exportadores sofrem. É um risco sistêmico em aberto.