A Copasa, empresa de saneamento de Minas Gerais, abriu seu capital ao público ontem com um detalhe que virou padrão nas privatizações recentes: a ação foi precificada a R$ 49,03, exatamente o mesmo valor que a Equatorial Energia pagou para virar acionista de referência (aquela que tem o controle). Parece estranho? É porque normalmente não funciona assim.
Quando uma companhia privatiza, a lógica esperada seria: o novo controlador paga um preço, e a ação em bolsa custa um pouco menos (desconto por risco). Mas aqui aconteceu o oposto do oposto — o mercado colocou a ação ao mesmo preço que o controlador desembolsou, sem margem de segurança para quem compra na oferta pública.
Esse fenômeno já apareceu na Sabesp, outra água-sanitária que privatizou recentemente. O padrão sugere que as estruturas das ofertas estão sendo pensadas pra garantir que o novo dono fica satisfeito com o preço, e o público em geral pega o que sobra. Não é crime, é só como o mercado está precificando essas transações agora.
Para o investidor que chegar a pensar em participar de privatizações futuras, vale notar: quando a ação sai da oferta sem desconto real em relação ao controlador, o risco de queda nos primeiros dias existe — e é aí que outros players entraram na Sabesp. Entender como foi precificada a entrada ajuda a calibrar expectativas sobre volatilidade e retorno potencial.