O déficit público nominal brasileiro acaba de bater 10% do PIB. Se isso soa como número sem cor, respira fundo: significa que o governo está gastando 10% a mais do que arrecada. É como uma família que ganha R$ 1 mil por mês e gasta R$ 1.100 — e já está fazendo isso há tempo.
Por anos, essa conversa ficou confinada em salas de economistas, mesas de discussão de bancos e corredores do Congresso. Agora, com a inflação controlada (0,07% recente), a Selic em 14% e a realidade fiscal cada vez mais óbvia, a conta chegou à conversa de rua, à política eleitoral, aos bares. Quando o mercado fica nervoso, as pessoas sentem. Juros mais altos para combater inflação, volatilidade no câmbio (dólar em R$ 5,22), menor confiança — tudo isso está conectado à saúde fiscal.
O pano de fundo não é questão ideológica: é matemática. Déficit alto significa que alguém tem que financiar aquele gasto. Esse alguém é o mercado, que cobra caro (juros mais altos) quando acha que o devedor é arriscado. Quanto mais alta a dúvida sobre a trajetória fiscal, mais caro fica o dinheiro para o governo — e indiretamente, para você.
O que importa: não é sobre culpado ou herói. É sobre entender que fiscal instável cria cenário de volatilidade prolongada, e quem tem carteira diversificada sofre menos com surpresas.