O dólar fechou em R$ 5,0430 (PTAX venda), e isso não é acaso — é sintoma de dois problemas que não saem de cena: o fiscal brasileiro está complicado, e as expectativas de inflação aqui dispararam.
A história é que quando o Brasil corre risco de perder credibilidade fiscal (ou seja, quando parece que o governo gasta mais do que arrecada, sem plano crível de corte), investidor estrangeiro fica nervoso. Começa a vender ações brasileiras, a demandar menos real — e o resultado é pressão para a moeda cair. Ao mesmo tempo, juros altos aqui mantêm alguma demanda por real, porque render 14,5% é interessante. O tug-of-war entre risco fiscal e juros altos deixa o câmbio instável.
Adicionalmente, o horizonte global também pesa. Economista de pesos-pesados internacionais — como o Citi — voltam a conversa sobre o que vai acontecer com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Se ele sinaliza juros mais altos por mais tempo, o dólar fica mais atrativo no mundo todo, pressionando moedas emergentes como o real.
O ponto que não dá para ignorar: dólar alto encareça tudo o que importamos (desde insumos até combustível) e alimenta inflação aqui. O Banco Central está ciente disso — por isso mantém Selic elevada — mas é um jogo tenso entre controlar câmbio e controlar preços.