O Brasil está preso em uma meia realidade: tem tarifas americanas caindo na cabeça, mas não consegue negociar nada agora porque os EUA estão a caminho da eleição e Brasília também. É como tentar fazer contrato com alguém que ainda não sabe quem vai ser em seis meses.
O timing é complicado porque Trump já bateu o martelo em tarifas na semana passada, mas qualquer negociação séria para revertê-las ou reduzi-las simplesmente não cabe na agenda de um ano pré-eleitoral. Nos EUA, tem eleição vindo aí. No Brasil, também. Ninguém quer brigar com voto em pauta.
O que isso muda? Para quem exporta, a realidade é de aumento de custo no curto prazo. Para a bolsa, companhias exportadoras (commodities, manufatura) veem pressão nas margens até que a poeira da política assente. O real fica mais volátil nesse limbo. Investidores internacionais ficam em espera. Mas a regra de ouro permanece: crises políticas passa, mercado continua. O longo prazo segue sendo melhor que o pânico semanal.