O agro teve uma festa nos últimos quatro anos. Com oferta farta de grãos globalmente, margens ficaram espremidas, mas pelo menos havia estabilidade de preços. Agora El Niño, aquele velho conhecido que mexe com colheitas no mundo todo, volta à cena.
O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões produtoras. Em alguns lugares traz seca, em outros excesso de umidade — de qualquer forma, reduz previsibilidade e pode apertar oferta.
Para o mercado agrícola global, isso muda a dinâmica. Se a produção cai em regiões chave (EUA, Brasil, Argentina, Ásia), preços sobem — o que melhora margens de produtores, mas também pressiona consumidores finais. O relatório Visão Agro já sinaliza essa mudança no radar.
O Brasil, maior exportador de soja e açúcar, sente na pele. Qualquer choque hídrico afeta safra. Daí por que produtores, traders e até investidores de renda fixa atrelada a commodities ficam de olho no radar climático.
Para o investidor de renda fixa em ativos indexados a IPCA, esse tipo de pressão de oferta pode trazer inflação de alimentos — reforçando a importância de estar alinhado com proteção inflacionária.