Pode soar estranho, mas às vezes o excesso é tão problemático quanto a falta. No domingo passado, continuação do feriado de Corpus Christi, o setor elétrico brasileiro viveu um momento inédito e tenso: havia mais energia sendo gerada do que o sistema conseguia consumir ou armazenar.
Com a demanda em queda (feriado prolongado, indústria parada), a geração hídrica elevada e usinas térmicas rodando, o Operador Nacional do Sistema (ONS) teve de fazer malabarismo operacional para evitar desequilíbrios. É um problema de estabilidade, não de quantidade: o sistema precisa de uma dança contínua entre oferta e demanda. Quando a oferta explode e a demanda cai, é risco de sobrecarga e danos à rede.
O episódio não vai afetar conta de luz na próxima fatura, mas revela um desafio real: o Brasil tem potencial hídrico robusto e está adicionando renováveis cada vez mais. A pauta regulatória precisa acompanhar — armazenamento de energia, flexibilização de demanda industrial, mercado spot bem desenhado. Isso é infraestrutura de longo prazo, não notícia de quebra-galho.