Dario Durigan, ministro da Fazenda de Lula, foi reto em entrevista: a economia está travada não só por números ruins, mas também por incerteza política. Ele reconheceu que a instabilidade no STF e a desconfiança do mercado em relação à política fiscal do governo mina a confiança. Tá certo, mas admitir o problema é só o primeiro passo.
O pano de fundo é velho conhecido: o mercado não acredita que o governo consegue controlar o gasto público e equilibrar as contas a médio prazo. Durigan até fala em "preconceito fiscal" contra Lula — ou seja, achismo de que o presidente sempre gasta demais. Pode ter preconceito, sim, mas números não mentem: o déficit vem crescendo, a dívida pública segue alta, e o investidor quer ver plano concreto, não explicação.
Quando o mercado está nervoso com as contas públicas, tudo sente: a bolsa fica frágil (porque ações sofrem quando risco Brasil sobe), dólar tende a fortalecer (porque investidor estrangeiro sai), e renda fixa prefixada sofre (porque juros podem subir se inflação volta ou se o governo perder credibilidade). É o círculo do desconforto.
O que Durigan não disse — mas o mercado grita — é que faltam medidas concretas para recuperar confiança. Reconhecer o problema sem apresentar solução é combater incêndio com água morna. Enquanto isso, quem investe no Brasil fica em modo espera.