Os Fiagros (Fundos de Investimento no Agronegócio) arrecadaram R$ 24,85 bilhões em ofertas apenas entre janeiro e agosto deste ano, quebrando recordes de captação. O número é impressionante se você considerar o cenário: inadimplência no campo em escalada e um volume recorde de recuperações judiciais no setor.
Em outras palavras, o agronegócio está com dificuldades reais para pagar suas contas, mas os investidores seguem colocando dinheiro nesses fundos. Por quê? Porque a renda dos ativos agrícolas (seja pela produção, seja pela valorização da terra) continua atraindo quem busca diversificação longe da bolsa e da renda fixa tradicional.
A dinâmica revela algo importante sobre mercado: nem sempre o que pareça ruim mata o interesse. Os Fiagros ganham relevância justamente por oferecer exposição a um setor vital (alimentação, commodities) que costuma se comportar de forma diferente da economia urbana. E a demanda por ativos que não acompanham só a Selic ou o Ibovespa segue firme.
Mas atenção: essa captação recorde também pode sinalizar que o mercado está precificando bem o risco — ou que ainda não sentiram plenamente o baque das inadimplências. O tempo dirá.