O maior fundo imobiliário de recebíveis do Brasil aprovou sua 12ª emissão de cotas, mobilizando até R$ 1,25 bilhão. Em um ambiente onde a Selic está em 14,25% ao ano, a notícia parece contra-intuitiva: por que captar dinheiro em FII quando renda fixa oferece 14% de rendimento garantido?
Porque FII de recebíveis funciona diferente. Esses fundos compram dívidas (recebíveis) de empresas — basicamente, direito de cobrar dinheiro que alguém deve. O retorno vem dessa cobrança, mais o ganho de capital. Em cenário de Selic alta, essas dívidas ficam mais caras (porque a taxa de desconto é maior), então fundos que emitem agora conseguem trazer ofertas interessantes.
Outro ângulo: investidores que já têm renda fixa posicionada em alta quantidade começam a diversificar. FII de recebíveis oferece risco diferente (operacional, não só taxa) e potencial de retorno maior. Não é alternativa à renda fixa, é complemento — quem tem portfólio maior busca ativos com perfil distinto.
O movimento de emissão constante também indica que o mercado de estruturação (criar e vender esses fundos) continua saudável. Não é exuberância: é indústria funcionando. A Selic alta garante que toda captação precisa oferecer algo a mais que simples juros para atrair grana.
O detalhe importante: FII é mais complexo que renda fixa e exige acompanhamento maior. Antes de entrar em qualquer emissão dessas, vale a pena entender de onde vem o retorno promessado.