A Gerdau tem um problema de imagem no mercado — e é justamente quando tudo está indo bem. A empresa vende praticamente o mesmo volume de aço no Brasil e na América do Norte, mas os números do primeiro trimestre mostram algo curioso: o dinheiro está sobrando muito mais no lado americano.
Por que isso importa? Porque o mercado ainda olha a Gerdau como uma empresa brasileira com operações internacionais — quando na verdade ela é um negócio bilionário que gera mais rentabilidade fora daqui. A operação nos EUA, que engloba a América do Norte, está entregando margens e retornos bem superiores ao Brasil.
O reflexo no valuation é o que chama atenção dos analistas: a empresa não consegue refletir essa força toda na bolsa. Enquanto a Gerdau trabalha com produção equilibrada entre os dois lados do oceano, a precificação das suas ações ignora largamente o peso e a lucratividade da operação americana. É o tipo de situação que aparece nos relatórios de gestores de fundos multimercado e long-short como um possível descolamento entre realidade operacional e preço de mercado — sem que isso seja uma recomendação, apenas uma observação factual de quem acompanha estruturalmente a empresa.