O varejo farmacêutico brasileiro vendeu R$ 255 bilhões nos últimos 12 meses até abril. Só que tinha uma coisa estranha nos números: 85% desse crescimento todo saiu dos medicamentos à base de GLP-1 — aquele que você ouve em podcast, em série e no consultório do amigo.
Para colocar em perspectiva: sem esses remédios, o setor farmacêutico teria crescido menos de 2% ao ano. Com eles, pulou para quase 12% de expansão. É praticamente o farmacêutico andando nas costas da GLP-1.
Isso importa porque começa a mexer em setores aparentemente não relacionados. Menos consumo de comida ultrajunk (porque o remédio reduz apetite), menos gasto com obesidade no SUS, mais demanda por roupas menores e possivelmente mais gastos com wellness — a economia do apetite afeta muito mais do que você pensa. Empresas de alimento, varejo, saúde pública: todos estão olhando para esse movimento.
O mercado está começando a precificar isso. Quem tinha ação ou fundo de farmacêutica viu valorização porque o mercado de GLP-1 é imenso (e caro — esses remédios não são baratos). A questão agora é: quanto desse crescimento é hype, quanto é tendência de verdade?