A esfiha virou símbolo de algo que ninguém esperava: a primeira grande rede de alimentação rápida a pedir ajuda ao judiciário em tempos de Selic estratosférica. O Grupo Gennius, que controla o Habib's e outras marcas como Ragazzo, Tendal Grill e Mita, protocolou a recuperação judicial após dois meses em busca de negociação direta com credores.
O roteiro é conhecido: endividamento alto, margens pressionadas e custo do dinheiro no teto. A Selic em 14% a.a. (um dos patamares mais altos dos últimos anos) faz empresas com fluxo de caixa apertado sentirem cada centavo emprestado. Para um negócio de restaurantes, que vive de volume e muitas vezes trabalha com alavancagem, o efeito é multiplicador: cada real de dívida fica mais caro de carregar.
Não é um sinal de que o varejo de food service vai desaparecer de um dia pro outro. Mas sinaliza que quando a taxa básica de juros sobe e fica lá, empresas que dependem de crédito para rodar dia a dia começam a trincar. A recuperação judicial coloca a empresa em negociação com credores para repensar prazos e valores — pode dar certo, pode não. Enquanto isso, as operações costumam continuar.
O case é um lembrete para investidores acompanharem empresas com endividamento em um cenário de juros altos, independentemente do setor.