A pandemia não foi um hiato. Foi o sinal de parada de uma era inteira. Escritórios que costumavam ser aquela torre de vidro com 2 mil pessoas lotadas no mesmo andar agora viram outro bichão: espaços menores, híbridos, com hot desks (mesas compartilhadas), áreas de criatividade, meeting rooms que cabem 3 pessoas de pé.
O imobiliário corporativo está em plena transformação. Menos lugar, melhor lugar. Menos fixa, mais flexibilidade. Empresas que antes assinavam 10 andares agora querem 4, mas bem desenhados. Isso mexe com TUDO: arquitetos, construtoras, proprietários de prédios, fundos imobiliários que apostam em corporativo.
Quem ganha e quem perde nisso? Prédios antigos e sem flexibilidade perdem valor de aluguel. Imóveis bem localizados, modernos, com infraestrutura de internet e espaços colaborativos entram em alta demanda. Alguns FIIs que têm carteira pesada em corporativo estão tendo que reavaliarem mix — e de forma bem acelerada. A demanda por espaço total caiu, mas a qualidade do espaço virou premium.
Embora a manchete venha de uma divisão específica (imobiliário corporativo), o pano de fundo é maior: como o mercado reprecia ativos quando comportamento muda. Essa é a arte de investir — entender antes, não depois.