Os fundos macro brasileiros estão na onda: inteligência artificial para varrer Bloomberg, identificar padrões, executar trades. A conta parece boa: retornos melhores, custos menores. Só que tem um custo que o balanço não mostra tão bem.
O que está acontecendo é que as asset managers estão usando IA não só para analisar, mas para reduzir o número de analistas e gestores mantendo (ou até ampliando) a cobertura de ativos. Parece um sonho: um gestor humano que antes monitorava 50 ativos agora monitora 200, porque tem um algoritmo fazendo o trabalho sujo de buscar anomalias e oportunidades.
O problema é duplo. Primeiro: máquina é ótima em encontrar padrões históricos, mas péssima em lidar com o imponderável (geopolítica, choque de confiança, viés comportamental). Segundo: quando todo mundo usa a mesma IA, a vantagem vira desvantagem — todos veem o mesmo sinal e caem na mesma porta.
Para o investidor que escolhe um fundo, o recado é simples: retorno maior pode vir de eficiência real, mas também pode vir de risco concentrado em um algoritmo. Vale a pena entender não só o resultado recente, mas o que (e quem) está por trás dele. Talento não é substituível.