A Side Capital, um fundo dedicado a imóveis de alto padrão, acabou de captar R$ 280 milhões — um número expressivo num momento em que o mercado imobiliário brasileiro está sob pressão. Como assim? Os juros altos encarecem o crédito (imobiliário fica mais caro), aumentam o custo de capital das incorporadoras (para elas construir fica mais caro) e diminuem a demanda por imóveis (o comprador com juros de 12% ao ano apertava o bolso). Seria o pior ambiente possível.
Mas juros altos criam camadas: enquanto o segmento de imóvel de renda popular sofre, os imóveis ícones (aqueles de muito alto padrão, em localizações privilegiadas, com histórico de valorização e procura de investidores estrangeiros ou brasileiros ricos) atraem capital. Por quê? Porque eles funcionam mais como ativo de preservação de valor do que como moradia — o comprador não toma crédito, paga à vista, e quer se proteger de inflação e desvalorização.
A captação de R$ 280 milhões é sinal de que dinheiro está disponível para esse nicho. Não é a bolsa caindo ou subindo; é um movimento de realocação: juros altos afastam o investidor de classe média do imóvel, mas atraem o investidor sofisticado para imóveis com valor intrínseco comprovado.
Para quem acompanha FIIs e fundos imobiliários, a lição é que nem todo segmento sofre igual. Imóvel logístico (galpão), imóvel comercial de qualidade e, agora, imóvel residencial ultra-premium seguem tendo apelo quando o custo de capital é alto.