O resultado das eleições colocou o mercado numa encruzilhada: quem ganhou, mas e agora? A tensão que tomou conta da bolsa e do câmbio logo após a votação não foi só euforia invertida — foi falta de roteiro claro sobre os próximos passos da política fiscal.
Tal Maluhy, presidente do Itaú, resumiu bem o dilema: o mercado precisa entender como o governo Lula vai equilibrar as contas sem apertar demais o freio econômico. Sem sinais concretos sobre contenção de gastos ou aumento de receita, fica difícil para investidor fazer plano. Um grau de investimento (aquele carimbo que facilita capital externo chegar) não volta só porque se quer — volta quando o mercado acredita que a dívida pública não vai explodir.
Na contramão, executivos como o da Multiplan e economistas da UBS remetem um recado um tanto mais otimista: o Brasil não é a ruína que alguns pregam. Há oportunidades reais para quem não entra em pânico. A discrepância de sinais é clássica de momento de transição: uns veem risco, outros veem preço baixo — e ambos têm razão parcial.
O ministro George Santoro já andou em Londres prometendo que o presidente vai "endereçar" o fiscal. Agora é esperar se isso vira ação. Enquanto isso, dólar permanece lá em cima, renda fixa oscila e ações seguem reativas a cada fala de autoridade.