Junho foi gentil com quem sofre na ponta do consumo: o IPCA subiu apenas 0,16% no mês, um número bem comportado se comparado aos medos de escalada que pairavam. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, a inflação ainda segue em patamar elevado — daí o BC não soltá-la tão cedo.
A Selic segue em 14% ao ano, o que significa que o Banco Central mantém a aposta na taxa mais alta da história recente para desacelerar a economia e, com ela, o ritmo de preços. É o clássico aperto de cinto: você reduz o gasto, reduz a procura, reduz a pressão nos preços. Funciona, mas dói.
Para quem tem dinheiro em renda fixa, este é o momento que vale ouro. Um CDB a 100% do CDI paga em torno de 10,5% ao ano (antes de impostos) quando o CDI acompanha a Selic — ou seja, você ganha em segurança o que perde em risco. Renda fixa prefixada também ganhou status: quem travou dinheiro a 13%, 14% tem uma carteira dormindo bem. A questão agora é se a Selic vai cair (sinalizando que a inflação recuou de verdade) e quando, porque aí os prefixados ganham nos resgates e os pós-fixados perdem velocidade de ganho.
O recado do BC é: espera aí, deixa a inflação descer mais antes a gente afrouxa. Quem investe em ações e FIIs — setores que preferem juros baixos — segue mastigando uma realidade incômoda: lucros menores e captação de dinheiro mais cara. Paciência com longo prazo é a ordem do dia.