Por um bom tempo, havia consenso no mercado: os preços do minério de ferro iam desabar. Fazia sentido na teoria — oferta abundante, demanda mais fraca da China, transição energética reduzindo o uso de aço. Tudo apontava para uma queda iminente.
Mas os preços não caíram como esperado. O minério seguiu firme, surpreendendo quem tinha apostado fundo numa redução de preço. Isso muda a conversa sobre a Vale, maior produtora do mundo. Enquanto o mercado esperava margens mais apertadas (lucro reduzido), a empresa seguiu gerando caixa robusto com preços ainda elevados.
O cenário agora é mais nuançado. A demanda real da China não desapareceu — infraestrutura, construção e manufatura continuam precisando de aço. Além disso, restrições ambientais em algumas regiões limitaram novos fornecedores. Resultado: a oferta global não explodiu como se previa, mantendo preços em patamares maiores.
Isso importa porque commodities como minério são very mean revert — oscilam bastante, mas tendem a voltar pra uma faixa média. Quando o consenso erra para um lado, a oportunidade está no lado oposto. A Vale e os ETFs de commodities se beneficiam desse cenário enquanto durar. A pergunta agora é: quanto tempo?