O Nubank está fazendo barulho no bolso do Itaú. Segundo análise do JP Morgan, o lucro da fintech já equivale a 98% do resultado que o Itaú gera só com o varejo, ou seja, pessoas físicas (não empresas). Se o ritmo se mantiver, o roxinho pode ganhar do concorrente ainda em 2026.
Isso não é um detalhe: é o retrato de uma mudança estrutural no mercado financeiro brasileiro. Há poucos anos, uma fintech era vista como app de modinha. Hoje, está gerando lucro de verdade, escala gigante e roubando mercado do establishment bancário.
Por que Nubank cresce enquanto Itaú segue seu ritmo tradicional? Vários fatores: a fintech opera com custos operacionais menores (sem agências físicas a manter), oferece taxas mais competitivas e nasceu já digital — para o público que abre conta pelo celular, é a opção natural. O Itaú, por outro lado, carrega uma estrutura pesada de sucursais e legado, ainda que seja eficiente e lucrativo.
Mas detalhe importante: o Itaú segue sendo um gigante em ativos, crédito total e operações bancárias de empresa. Superar em lucro no varejo não quer dizer que o Nubank é "maior" — quer dizer que o varejo do Itaú é menos rentável que o do Nubank. Um negócio pode ser gigante em volume e pequeno em margem.
Este movimento reflete tendências maiores: a digitalização acelerada, a pressão por taxas menores em um ambiente de juros altos, e a consolidação de players menores em nichos específicos. Para quem investe em bancos tradicionais, é um sinal: o setor segue rentável, mas enfrenta competição real e precisa se adaptar.